20 anos, e…
Eu continuo o mesmo, ainda que completamente diferente. Continuo deixando tudo pra última hora, eu continuo instável demais, arrogante demais e mal-humorado além da conta, eu continuo com medo de tudo e de todos. Mas descobri uma coisa deliciosa a meu respeito: Eu assusto todo mundo com o meu jeito inconstante. Uma pessoa superficial e de mentira jamais agüentaria ficar perto de mim e isso não é nada ruim. Afasto as sombras ainda que muitas vezes me sobre a solidão, afinal, são poucas as pessoas realmente vivas. Eu ainda choro e rio do nada porque essa vida dramática é muito engraçada e meu peito anda cheio de curiosidade e alegria. E isso é só um pedaço de mim que, se você quiser, pode pegar sem cerimônia. Afinal, alma quanto mais à gente dá, mais tem. E a gente precisa viver pra morrer de vez em quando. Eu continuo o mesmo inseguro que se esconde detrás de palavras ríspidas, aquele mesmo que sente saudades de amar, nem que seja a si próprio. Eu ainda tenho os mesmos desejos de sempre, a mesma cor de cabelo, o mesmo olhar triste e curioso, moro no mesmo lugar com as mesmas pessoas. Nada mudou. Ou será que mudou tanto e tão rápido que eu nem percebi que a mudança foi uma volta de 360° em torno de mim? Fico tanto tempo sem escrever que esqueço o motivo pelo qual faço, mas logo me lembro que escrevo porque escrever é a minha vingança contra todas as palavras e sensações que morrem todos os dias mostrando pra gente que nada vale de nada.
Postando ouvindo Frank Sinatra.


